Estudantes de Relações Públicas entrevistam Consultor Político #entrevistauniversidade

 

 1. Como você define os termos marketing político e marketing eleitoral?

 

AURÍZIO FREITAS: Marketing Político é o termo que define a atividade profissional e a área do conhecimento relacionadas ao planejamento, gestão e comunicação no campo político. Marketing Eleitoral é o Marketing Político aplicado especificamente no momento eleitoral. É importante destacar que o Marketing surgiu originalmente como disciplina da ciência econômica na primeira metade do século XX e com o passar do tempo começou a ser aplicado na política e em outras áreas. Portanto, para conhecer bem o marketing político e o marketing eleitoral se faz necessário conhecer bem o marketing “original”, o aplicado nas empresas.       

 

2. Existe diferença entre marketing e propaganda eleitoral? Em caso positivo, qual(is)?

 

AURÍZIO FREITAS: Sim, há diferença. A propaganda é apenas uma componente do marketing. O marketing é mais amplo e envolve diversas outras atividades como pesquisa de opinião, segmentação, posicionamento, definição de atributos do candidato/político, geomarketing: pontos de distribuição de materiais, plano de governo/plano de ação parlamentar, articulação política, elaboração de organogramas e cronogramas de campanha etc.   

 

3. Para você, quais as especificidades da comunicação política?

 

AURÍZIO FREITAS: Na comunicação política tratamos com grandes contingentes populacionais, públicos enormes. É uma comunicação complexa e multivariada que mescla conteúdos “de massa” e conteúdos segmentados e que utiliza os mais diversos veículos, meios, mídias. Uma outra componente importante da comunicação política é a sua integração obrigatória com os estudos de opinião pública através do uso de pesquisas quantitativas e qualitativas.   

 

4. Hoje, quais as estratégias de marketing voltadas para o marketing político/eleitoral?

 

AURÍZIO FREITAS: Praticamente todas as atividades do marketing empresarial são aplicáveis no marketing político/eleitoral. Como exemplo cito a segmentação comportamental em que dividimos os eleitores de acordo com suas afinidades e interesses e realizamos atividades de campanha direcionadas para cada segmento comportamental: interessados em futebol, evangélicos, ambientalistas, nerds e geeks, LGBT etc.

 

5. Por que é válido o uso do marketing em campanhas eleitorais?

 

AURÍZIO FREITAS: Por que o marketing é uma ferramenta democrática que parte da opinião das pessoas e busca aproximar o candidato e o eleitor. Para o marketing a opinião das pessoas é o centro de tudo, ela deve ser estudada e a partir dela se geram as estratégias.

 

6. De que forma a consultoria de marketing político/eleitoral é prestada?

 

AURÍZIO FREITAS: Por contratos que apresentam planos de trabalho calculados em horas-técnicas. Essa é modalidade mais corrente em se tratando de consultores políticos. Há consultores políticos e outros profissionais como publicitários e jornalistas que aplicam outras modalidades como por exemplo o fee, ou seja, uma remuneração mensal fixa durante os meses da pré-campanha e da campanha.     

 

7. Uma campanha profissional aumenta as chances de sucesso? Que diferença faz uma boa estratégia nela?

 

AURÍZIO FREITAS: Aumenta as chances de sucesso sim, pois torna calculados os riscos da campanha, estabelece planos de trabalho com metas e objetivos a cumprir, divisão em fases e mecanismos de avaliação de desempenho. Uma boa estratégia, ou seja, a definição de um “caminho”, de um conjunto de atividades faz toda a diferença para o alcance da vitória.  

 

 

8. Para você, quais estratégias de marketing político/eleitoral podem ser usadas para o alcance do objetivo desejado?

 

AURÍZIO FREITAS: Pelo menos quatro estratégias: (1) Estratégia de posicionamento, em que o candidato projeta determinada imagem que está em sintonia com a opinião pública e enaltece suas qualidades e virtudes; (2) Estratégia de plataforma, em que o candidato apresenta suas ideias e projetos para persuadir os eleitores; (3) Estratégia de contraste, em que o candidato se compara com o adversário e busca mostrar-se mais vantajoso; e (4) Estratégia de ataque, em que o adversário vira alvo de críticas visando o aumento de sua rejeição.      

 

9. Em tempos de internet e de redes sociais, como adaptar as campanhas eleitorais a este contexto, de forma a obter o melhor feedback positivo?

 

AURÍZIO FREITAS: É fundamental conhecer em profundidade o funcionamento das diversas ferramentas digitais e poder adequar sua utilização à estratégia em curso, respeitando o fato de que a comunicação digital é essencialmente interativa e participativa. Portanto, não se pode “importar” mecanicamente o formato de comunicação de massa – Rádio e TV – para a internet, sob o risco da ação ser um fracasso. A produção audiovisual para a internet possui uma linguagem específica: uma mensagem mais direta e mais intensa, um tipo de edição mais dinâmica, uma duração mais curta. Hoje o fluxo está se invertendo: os formatos audiovisuais aplicados na internet estão influenciando a produção audiovisual para a TV.    

  

10. Quem está apto a prestar consultorias de marketing político/eleitoral?

 

AURÍZIO FREITAS: Profissionais com ampla experiência em atividades políticas e campanhas eleitorais, com conhecimento multi-disciplinar e que dominem técnicas de consultoria tais como realização de análises de contexto e de conjuntura, elaboração de relatórios, treinamentos, aconselhamentos.

 

 

11. Para você, é necessária a presença de profissionais de marketing e de relações públicas em uma campanha eleitoral e durante o mandato de um político? De que maneira?

 

AURÍZIO FREITAS: A área de relações públicas é fundamental e se insere tanto nas campanhas eleitorais quanto nos mandatos a partir de uma ação de comunicação integrada, rompendo o paradigma dominante da propaganda como área central da comunicação política. 

 

12. Diz-se que vence uma campanha quem melhor atende ao ilusório da população, nem sempre sendo a campanha mais pragmática e realista. Qual sua opinião sobre isso?

 

AURÍZIO FREITAS: O eleitor faz escolhas de forma coerente com o cenário e o contexto político em que está inserido. Não há - como se pode imaginar - uma oposição entre emoção e razão, mas sim uma soma, ambas estão presentes em maior ou menor escala na decisão do voto.

 

13. No seu entendimento, o maior embate eleitoral hoje em dia é ideológico, administrativo ou moral?  Justifique. 

 

AURÍZIO FREITAS: É o moral, no sentido de que as pessoas hoje, de uma maneira geral, veem a atividade política com grande descrédito devido aos escândalos sucessivos e isso tem gerado prejuízos eleitorais aos maiores partidos políticos. 

 

 

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FONTE: Entrevista concedida em novembro de 2018 a estudantes de graduação em Relações Públicas do Centro Universitário Newton Paiva (MG), orientandos da professora Christiane Rocha E. Silva.

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